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5 de jun de 2018



Lembra das fábulas que nos contavam na infância? Elas são narrativas curtas, geralmente com animais como personagens e de teor educativo. Sua principal característica é apresentar uma “moral da história” que nos faz refletir e nos ensina lições.

Tenho estudado sobre espiritualidade e crescimento pessoal e, lendo textos de ambas as áreas, percebi que, de certa forma, a vida se parece com as fábulas. As coisas acontecem e, no fim, há uma lição a ser aprendida. Mas será que conseguimos perceber essas lições?

Esse é o ponto. Tudo o que acontece em nossas vidas tem um porquê, mesmo quando são coisas ruins. No entanto, nem sempre pensamos em todos esses“porquês”para extrair aprendizado deles. 

Eu só comecei a pensar nisso há menos de dois anos quando várias coisas aconteceram comigo e pareciam se repetir de tempos em tempos. Eu não conseguia entender porque tanta “maldade da vida” comigo. Até que, primeiro, tomei baque quando aprendi que muito do meu sofrimento era resultado das expectativas que criava em relação às pessoas, aos projetos e situações. Foi quando escrevi o texto “A ilusão cria a dor”. 

Mais recentemente, durante mais um momento de turbulência na vida profissional e acadêmica, tive que me condicionar a pensar de forma positiva e não me permitir ficar mal e me entregar. Extrair o lado bom do caos.


Vivendo e aprendendo...


Viver é sinônimo de aprender. E se aprende estudando, ouvindo, observando, praticando, criando, errando, sofrendo... enfim, aprende-se VIVENDO. Ou seja, quando vivemos coisas boas, podemos extrair algo disso e, da mesma forma, quando enfrentamos dificuldades, também podemos aprender com elas.

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Costumo ouvir amigos pedindo conselhos nos momentos difíceis e sempre digo a mesma coisa: pelo menos você pode aprender algo isso. Lembro daquela frase que diz que nada é em vão e que, se não for uma benção, é uma lição. E esse é o segredo, é assumir para si a responsabilidade da própria felicidade e procurar entender o que aconteceu, sem jogar a culpa no outro, no emprego, no horóscopo, na vida, etc. 

Você acha que aprende com as lições que a vida te dá? Você tem reconhecido seus acertos e pontos fortes? E suas falhas e fraquezas? Você consegue reconhecer o que é ou não sua culpa? 

Não existe uma fórmula, não existe um padrão. A vida é um mestre que aplica as lições e cabe a nós, os alunos, compreendê-las e aprender algo novo. 

Aprendamos!

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29 de mai de 2018

Foto: Michaelle Santiago

Era véspera de Carnaval e eu estava num restaurante no meio de uma confraternização, quando uma moça recém-chegada ao grupo ficou horrorizada ao saber que eu não bebo. Assim que confirmou comigo, ela me olhou espantada e disse que eu era uma pessoa triste,  que não sabia me divertir e não tinha histórias para contar. No momento, pensei em dizer mil coisas (algumas indelicadas, confesso), mas me restringi a dizer que escrevo a história a minha própria maneira e o assunto morreu quando, do nada, para minha alegria ou tristeza, ela começou a cantar um desses refrões sertanejos. 

As horas passaram e, já em casa, fiquei pensando sobre aquilo. Certamente, não foi uma conversa muito longa, tampouco produtiva, mas foi o bastante para que eu fosse taxado de infeliz. E isso me preocupou, não o fato de alguém pensar que sou infeliz, mas, sim, perceber que o álcool é considerado um combustível ou, até mesmo, uma fonte para a felicidade. 

Não condeno o consumo de bebidas alcoólicas, mas acredito que é uma ideia perigosa a de que a felicidade depende de álcool ou de qualquer outra substância química. Fico incomodado quando vejo alguém pregando esse tipo de coisa sem, ao menos, calcular o impacto dessa ideia e passei um bom tempo refletindo sobre o assunto.

Estar sóbrio é sinônimo de infelicidade? Aliás, estar sóbrio e de bem consigo mesmo, é estar infeliz? Ou se sentir feliz e confortável somente com alguma quantidade de álcool correndo no sangue é a verdadeira felicidade? Dar "PT" é a única forma de ter história para contar? 

Sim, é verdade que o álcool libera substâncias que promovem o bem-estar, desperta boas sensações, mas é momentâneo. Eu já tive meus momentos alcoolizados e, definitivamente, não é tipo de história da qual eu tenha orgulho de lembrar, muito menos contar. Em outras épocas, já me fiz acreditar que escrevia mais e melhor sob efeito de vinho. E, por levar esse pensamento a sério, sem a bebida, não conseguia escrever e me sentia incapaz. Parei porque aquilo não fazia sentido para mim. Uma decisão pessoal, devidamente pensada.

Se é preciso álcool para "se libertar", só está mudando sua prisão. É como namorar alguém somente para não estar sozinho. Sabe aquela velha história de que se você não é uma boa companhia para si mesmo, ninguém mais será? Então, basicamente é isso: se você não se aguenta sóbrio, não é todo mundo que vai te aguentar ébrio. Além do mais, e depois que o efeito da bebida passa, o que resta? 


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Não julgo se aquela moça é, ou não, feliz (embora, parecesse extremamente animada), não cabe a mim. Como também não cabe a ela, ou a quem quer que seja, julgar o que eu faço e o que deixo de fazer com meu corpo e minhas ações.

Usar o álcool como remédio ou refúgio para o que quer que seja é um caminho perigoso que prefiro não trilhar. Acho que vale a pena refletir sobre a origem dessas “necessidades”, afinal os excessos sempre escondem alguma ausência mais profunda. É importante pensar e entender nossas escolhas e atitudes para não deixar a vida passar batido.


P.S.: A dependência de álcool (alcoolismo) é considerada uma doença crônica e multifatorial pela Organização Mundial da Saúde (OMS); isso significa que diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo a quantidade e frequência de uso do álcool, a condição de saúde do indivíduo e fatores genéticos, psicossociais e ambientais. Saiba mais: http://www.cisa.org.br/artigo/4010/-que-alcoolismo.php
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4 de abr de 2018




É inegável que há fases na vida em que as coisas parecem desandar, tudo fica mais complicado, os imprevistos surgem, os entraves aparecem, alguém apronta alguma coisa conosco... Só de listar, já fico suado. Mas, por pior que seja, essa é uma característica da vida. As coisas não são fáceis mesmo e, ainda por cima, sempre tem alguém para tornar pior. 

Então, se você esbarrou num problema e as coisas não estão muito bem, sente, respire fundo e se permita sentir o que o coração mandar naquele momento. Sofrer é permitido e ficar para baixo também, mas não para sempre.

Há um tempo, enfrentei situações muito ruins devido a uma pessoa tóxica. Foram semanas de assédio moral, chantagens emocionais, descrença e desdém. A princípio, aquilo me pegou desprevenido e o choque me deixou deprimido. Sofrer injustiças é sempre terrível para qualquer pessoa e isso me causou muita dor e revolta. 


Pensei em reagir de diversas maneiras, pensei até em revidar na mesma moeda, entrar no jogo e devolver toda a toxidade que estava recebendo. No entanto, refleti um pouco mais e fiz o que costumo fazer: me dar um tempo. Esse dar um tempo consiste em me desligar um pouco, me afastar do caos e me reaproximar do meu eu. É um processo de reconexão, quase como recarregar as energias.

E, apesar de toda a ansiedade e ira que me acometem nessas horas, aprendi que é necessário parar e pensar. Sair do campo aberto de batalha, ir para a trincheira, procurar abrigo e refazer a estratégia. Costumo dizer que o silêncio tem sido meu amigo há anos e é justamente por isso. No caos, supero os ímpetos de revidar e silencio para buscar uma solução.

Foque na solução, não no problema

pedras com os dizeres sonho coragem inspiração e harmonia
Sonho, coragem, inspiração e harmonia


É essencial não focar apenas no problema e, por isso, me obrigo a buscar soluções diferentes e criativas. Problemas são obstáculos que precisam ser superados, são degraus que precisam ser subidos para se alcançar um novo patamar. 



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Nesse processo, para cada coisa ruim que me acontece, procuro fazer outras duas boas. Seja uma atividade prazerosa, um passeio, uma boa leitura, uma nova ideia para um projeto, um novo sonho, etc. Há sempre infinitas possibilidades e todas elas dependem de nossas escolhas, de como agimos e reagimos diante da vida. 

As respostas para nossos problemas estão dentro de nós, basta saber procurar com paciência e humildade. Não é fácil, como nada é na vida, mas nos ajuda a superar as dificuldades e expandir nossas possibilidades. 

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25 de fev de 2018




Há um tempo, tirei uma manhã de domingo para acompanhar minha amiga Michele no shopping. Só iríamos resolver uma coisa rápida numa das lojas e depois iríamos embora. Até a loja abrir, ficamos conversando e passeando pelo shopping quase deserto. Fomos à praça de alimentação e, enquanto comprávamos um milk shake, alguém tocou o ombro de Michele e ouvimos uma voz doce e trêmula falar:

- Uns com tanto e eu quase pelada.

Olhamos para trás de imediato em busca da dona daquela voz. A princípio, não entendemos de onde ela veio e, muito menos, do que ela estava falando. Só depois, observando melhor, vimos que era uma senhora de idade avançada, com alguns curativos na pele frágil e cheia de manchas e o cabelo muito falhado. Só aí entendemos que ela falava dos cabelos de minha amiga.

Michele é dona de um cabelo afro poderoso que chama atenção pela beleza e pelo volume. Quando cumprimentamos aquela senhorinha, sentimos aquela coisa boa quando conhecemos alguém do bem. Ela nos transmitiu uma energia tão boa que ficamos encantados na mesma hora. Sem exageros, ficamos sem reação, até mesmo para conversar um pouco mais com ela.

Eu e Michele ficamos impressionados com sua simpatia e graça. Ela nos desejou bênçãos e saiu. Algumas horas mais tarde, ainda no shopping, estávamos caminhando quando a reencontramos e, mais uma vez, ficamos sem reação, encantados com sua simplicidade e alegria. 



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Muito festiva, pegou em nossas mãos amavelmente e pude sentir como sua pele era delicada. Ela recordou um ditado que costumava ouvir quando morava no Rio de Janeiro.

- Pessoas com a energia boa se atraem – disse com um grande sorriso no rosto.

Ela disse que nada era por acaso e que nossa energia, a de Michele e eu, a atraiu até nós. Ela era aquele tipo de pessoa fofa e nos marcou com sua simplicidade e humildade.

Conversando mais tarde com Michele, refletimos o quanto aquele encontro iluminou nosso domingo. Pode até parecer bobagem, mas aquela senhorinha com o cabelo falhado nos deu um lembrete da importância de cuidar da nossa energia, pois atraímos o mesmo que transmitimos. Semelhante atrai semelhante.

Sou grato a ela e à vida por mais esse aprendizado.



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21 de fev de 2018


O fracasso mexe com nosso ego, pois significa que algo falhou. É algo que dói e digo isso porque, há poucos meses, vi muita coisa dar errado em minha vida. Atividades que antes me satisfaziam, deixaram de ser prazerosas e se tornaram cansativas, enfadonhas e deprimentes. E foi nesse cenário que tive que aprender a lidar com o fracasso.

Eu estava deprimido, estressado e ansioso. A frustração se misturou a um sentimento de incapacidade e inferioridade. Me arrastava em um emprego que não me fazia feliz, dentro de uma rotina cansativa e improdutiva. E se você acha que depois de tantos desacertos as coisas simplesmente começaram a melhorar, se enganou. As coisas conseguiram ficar ainda piores.

Mas chegou um momento que eu cansei. Cansei de trabalhar com o que eu não gostava. Cansei de abandonara escrita por preguiça ou medo de não aceitação. Cansei de me colocar como vítima e fiz um esforço para deixar de resmungar e tomar uma atitude racional.

Nessa fase, tive que tomar decisões que procrastinava há meses. Mudei de emprego, estou mudando minha rotina e aprendendo a fazer coisas que antes acreditava que não conseguiria. Como toda mudança, foi um momento de instabilidades, insegurança e medo. Mas, acima de tudo, foi um momento de aprendizado profundo sobre quem eu sou, onde estou, com quem estou e onde quero chegar.

Enquanto o furacão passava, escrevi uma crônica que está em meu blog chamada “O lado bom do caos”. Ela simbolizou essa mudança, foi quando me obriguei a enxergar que as dificuldades fazem parte da vida de qualquer pessoa e que fracassar é normal.

O importante mesmo é o que a gente faz com esse fracasso.


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Entendi que cabe a mim decidir se o caos e o fracasso vão me destruir ou serão uma oportunidade de me reinventar, superar e crescer. Os sonhos são possíveis quando acreditamos e lutamos por eles. Por isso, sempre temos que lembrar que as tempestades passam e as nuvens se dissipam. É por isso que não podemos deixar o desespero nos dominar e o medo nos paralisar. A vida pode não estar sendo fácil e tudo estar fora de controle, mas não é fim do mundo, talvez você só precise descansar, avaliar a si mesmo e recomeçar.

O primeiro passo é acreditar!
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22 de jan de 2018





Ao longo dos anos, venho conhecendo diversas pessoas por meio do blog, pessoas que lêem, se identificam com algum trecho, que concordam ou não, etc. Pessoas diferentes, distantes fisicamente e até mesmo socialmente, mas a maioria aparecia com algo em comum: a dor da perda. O “deixar ir” era o maior desafio naquele momento.

Temos uma tendência a idealizar a vida, a esperar demais e nos apegar demais às pessoas, locais ou momentos. No entanto, tudo é passageiro. Há coisas que duram muito tempo, outras nem tanto. Aprendemos a conquistar e a vencer, mas nem sempre estamos prontos para derrota.

Lembro que alguns daqueles leitores reclamavam de quase tudo o que viveram e viviam ao lado de seus parceiros, a maioria eram relacionamentos falidos, desgastados por brigas, orgulho e ciúmes, alguns até mesmo por abuso. Faziam questão de mostrar porque eram infelizes. No entanto, mesmo com tantos motivos, ainda era muito difícil reconhecer que o ponto final talvez fosse a melhor solução.

Um leitor uma vez comentou sobre um texto meu e disse que sentia que era hora de dar um basta na relação que vivia na época. Dizia-se cansado de sofrer e de viver tantas instabilidades pelas incertezas da outra pessoa. Ele já sabia que não valia a pena sofrer nem se desgastar tentando fazer a relação voltar a ser como era no início. Esse leitor se tornou um grande amigo e o vi escrever seu ponto final discreta, calma e decididamente. Ainda assim, não foi um processo fácil, como pude acompanhar.

Muitas vezes, os parágrafos finais de uma história já foram escritos, mas falta coragem para colocar o último ponto. Decidir talvez seja a parte mais difícil, pois o que vem depois é libertador. Deixar a pessoa ir é uma grande prova de amor ao outro e a si mesmo, afinal sofrer não vai fazer bem a nenhum dos dois.

Dalai Lama escreveu sobre quando estamos envolvidos demais com qualquer sentimento, seja amor ou ódio, e que temos que olhar para dentro e questionar: “o que é afeto? E o que é apego? Qual a natureza da raiva?”. As respostas estão dentro de nós e nos cabe entender até onde vai o afeto e começa o apego.

Do que você precisa desapegar?



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Desapegar no sentido de saber que estamos todos de passagem e que ninguém pertence a ninguém. Saber que as coisas nem sempre saem como queremos. Perdoar os erros do outro. Reconhecer os próprios erros. Perdoar a si mesmo. Deixar ir. Tudo é decisão.

Esse texto é mais um lembrete a mim e aos meus leitores de mais tempo de que crescemos com tudo que passamos. E constatamos que, como dizem, segurar a corda machuca mais do que deixar ir.
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16 de jan de 2018


Era véspera de páscoa quando achei uma foto interessante no Pinterest, salvei e publiquei no perfil do Instagram do Cara do Espelho. Tratava-se de uma dessas pichações poéticas. Nem a foto, nem a frase eram minhas, mas aquela publicação viralizou e ganhou quase 400 curtidas, um número expressivo para um perfil que não tinha mais que 300 seguidores e as publicações não passavam de 20 likes

Confesso, me senti incomodado com o fato de um conteúdo alheio ter viralizado. Porém, aproveitei a oportunidade para divulgar mais meu o trabalho, investi em publicações parecidas e produzi as minhas nos mesmos moldes. Em três meses, consegui mais de 400 seguidores, alguns até famosos. Foi gratificante ver o crescimento fruto do meu esforço, mas acabei perdendo o fôlego.

De repente, os meus conteúdos autorais não tinham tanto alcance e comecei a me comparar com outros blogs literários e essa comparação me despertou sentimentos ruins de inferioridade. E isso tomou conta de mim em relação às outras redes sociais, incluindo nos perfis pessoais. Eu via a felicidade, agitação, beleza e perfeição em todas as publicações nos feeds e stories e me sentia pequeno e desnecessário perto de tudo aquilo. 


A imagem nos afeta

Reprodução: Netflix

Já experimentei outros afastamentos das redes por estar saturado desse mundinho, mas nunca por me sentir inadequado. Quando me dei conta do que estava acontecendo, lembrei de um texto que li no blog Coisas de Carol, da minha amiga Carol Matias, que fez uma reflexão sobre como nos afetamos pela imagem nas redes sociais. Ela escreveu isso em setembro e, na época, não me dei conta que começava a viver aquilo. 

No texto, Carol falou sobre como foi estar numa rede social e não se sentir confortável em ser ela própria, por ter receio de não estar à altura do que é publicado lá. “Eu me sentia e sinto estranha por que, caramba, todo mundo é tão lindo, tão inspirado, tão legal no Instagram, vida maravilhosa e eu não consigo nem postar uma selfie com uma legenda legal uma vez ou outra. Isso me fazia/faz um mal danado”, escreveu.

Esse trecho me pegou! Há alguns anos, minhas redes estavam cheias de fotos minhas, textos autorais e reflexões. Eu fazia isso porque me fazia feliz compartilhar momentos pessoais e ainda divulgar minha produção artística. Com a faculdade e trabalho, diminui a quantidade. Só que, de uns meses para cá, fui tomado pela mesma sensação descrita por Carol, tanto para minhas fotos quanto para meus textos. 

E foi pesquisando sobre assessoria de comunicação, que encontrei um vídeo que veio a calhar com essa reflexão. A jornalista e coaching de imagem e reputação, Nathana Lacerda, publicou um vídeo em seu canal comentando sobre o dia em que ela decidiu postar uma foto de cara limpa – largada mesmo –, logo depois de ver aquela enxurrada de fotos perfeitas do Instagram. Sua intenção foi mostrar que não há motivos para ter vergonha da sua realidade só porque ela é diferente das outras pessoas. 


Não devemos comparar nossa vida com a do outro


Já escrevi sobre comparações na vida profissional e, agora, percebo que a raiz do problema é a mesma nesse caso. Ao comparar e julgar minha vida e meu conteúdo como ruim ou irrelevante, deixo-me tomar por um sentimento de inferioridade paralisante. No entanto, não há motivos para isso, pois eu já sei que todos somos diferentes e vivemos contextos diversos.


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Não posso pautar minha vida de acordo com o que os outros vão ou não pensar de mim, muito menos querer imitar esses padrões de beleza e comportamento. Preciso ser eu mesmo. E se, por acaso, eu não me sentir confortável em ser quem eu sou, já sei que há algo que preciso resolver e uma lição a aprender.

Como disse a Carol Matias, em sua reflexão: “a partir de hoje terão fotos feias sim, terão fotos espontâneas sim, terão fotos que contem histórias e momentos sim”. 

Nada mais justo, pois somos humanos, somos diferentes, somos muitos e, ao mesmo tempo, somos únicos. Temos fases de alta e também de baixa. Então, vamos ser reais onde quer que estivermos, na rede social ou na vida. Até por que ninguém gosta de fakes, né? 

Leia a crônica da Carol aqui: http://bit.ly/reflexãoCarolMatias

Assista ao vídeo da Nathana: 







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4 de dez de 2017

Na foto: "Bette" Davis (1908-1989), uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro conhecida por interpretar personagens antipáticas, maldosas e problemáticas.

Cresci ouvindo as pessoas falando que tinham ranço de alguma coisa, na longínqua Simão Dias. Graças a Deus, a expressão pegou e hoje em dia todo mundo diz que “pegou ranço” de algo. O significado da palavra tem relação ao mau cheiro, seja de decomposição, mofo ou de ambientes abafados. No sentido figurado, o vocábulo vai além e, atualmente, também é sinônimo de repulsa e desprezo.

Parei para pensar sobre essa palavrinha, porque tive uma conversa com uma amiga sobre como o ranço definia muito o que sentíamos por certas pessoas, situações e lugares. Para terceiros, o papo poderia até soar arrogante e presunçoso, mas, para nós, revelou que um momento de transição está em curso. 

Algumas dessas coisas pelas quais nutrimos tal repulsa foi, em outras épocas, parte importante de nossas vidas. Eram pessoas e coisas que realmente gostávamos de ter por perto, pois nos faziam bem, nos divertiam, nos acalmavam, estimulavam ou mesmo ficavam inertes. Só que, em algum momento, a coisa mudou e deixaram de ser agradáveis. 
Mas como isso foi acontecer?

Fazendo um retrospecto – essa época do ano é perfeita para isso –, percebi que, em alguns casos, desentendimentos e brigas foram a causa da ruptura e afastamento. Em outros, a coisa foi silenciosa, pois se deu com o tempo e com pequenas atitudes que resultaram em um distanciamento definitivo. O curioso é que percebi que, nesses casos, não se tratava necessariamente de repulsa ou desprezo por essas pessoas e/ou momentos, mas, sim, um rearranjo das coisas. 





O tempo passou, os cenários mudaram e as prioridades são outras. Certas coisas não cabem mais em minha vida, pois não há mais espaço na minha estante de prioridades. Não que tenham se tornado ruins, é que simplesmente não fazem mais sentido para mim. Tiveram um significado importante no passado e podem até voltar a ter no futuro, mas no presente, não me cabem mais. 

Dessa conversa com minha amiga, percebi que o que temos chamado de ranço, são só as nossas prioridades mudando com o passar do tempo. 


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21 de nov de 2017

Foto: Ian Ricardo

Quarta, 28 de outubro de 2015

Insegura.
Tudo parecia bem, estava confortavelmente sentada, ouvindo música, quando como um tapa na cara, veio o receio. O receio de ficar sozinha.
O receio de nunca encontrar alguém paciente o suficiente para aturá-la. 
“Mas ele deverá amar até os seus defeitos”, dizem os amigos. Quem dera fosse assim tão fácil, já seria raro o suficiente encontrar alguém que a amasse, encontrar alguém que ame até os seus defeitos, seria pedir demais.
Por mais que parecesse madura ou que sequer se importava com isso, ela realmente ligava.
Com seus quase vinte e um anos, ainda era a insegura de dezesseis. A que gostava de clichês, os quais muito poucos viveu. Aquela que imaginava situações ao lado de outra pessoa, mas que tinha certeza que nunca aconteceria. 
Assim, começou a escrever.
Passou a escrever aquilo que tanto ansiava, mas sabia que muito provavelmente não teria. A fase passou, e ela continuou a dizer que não se importava, que não tinha tempo, que tinha outras prioridades. E, por mais que repetisse diversas e diversas vezes, sabia que apenas se enganava.
Então, quando sozinha, ela chorava.
Pensava o que poderia ter errado com ela, perguntava-se por que todas as vezes ela tentou, não dera certo. 
Bem, talvez fosse sua culpa, ela que era complicada demais. Ela que tinha traumas demais. Ninguém era obrigado àquilo.
Porém, por mais que tentasse, por mais que desse o melhor de si, por mais que calasse, de nada adiantava.
Sendo assim, as pessoas desistiam dela. 
Não é como se pudesse culpa-las, afinal. Citando uma frase que muito saía dos lábios dela “ninguém é obrigado”.
Mexeu a cabeça e, por um tempo, decidiu deixar para lá. Sabia que, quando sozinha, tudo voltaria, mas naquele momento, ela parou de se importar.
Que os finais felizes ficassem para seus personagens.

(Por Thiarlley Valadares)




Thiarlley Valadares

Jornalista, cristã, escritora de fanfictions e péssima dançarina nas horas vagas! Apaixonada por cupcakes, viciada em leite condensado e fã de Desventuras Em Série.  Autora do blog Apenas Fugindo desde 2010 e escreve para compartilhar sentimentos, anseios, desejos e paixões.

Site: Apenas Fugindo       Facebook: Apenas Fugindo Blog     Instagram: @apenasfugindo

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13 de jun de 2017



Finalmente o reencontro, estou frente a frente com uma página em branco e, depois de tanto tempo sem nenhuma novidade, descubro que nada está como antes. 

Passamos a vida buscando estabilidade em todos os aspectos possíveis e vamos construindo nossos castelos, fazendo o possível para manter tudo do jeito que está. Mas as coisas não são tão simples, o tempo passa e a zona de conforto começa a ficar desconfortável, cada vez mais apertada. Sufocante.

Como pode aquilo que construímos com tanto trabalho para nos deixar em paz e seguros nos causar dano? Somos humanos, seguimos uma longa e incessante jornada, sempre em movimento. Desde o nascimento até a morte. Precisamos nos movimentar, seguir o fluxo da vida. Então, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos ficar da mesma forma e no mesmo lugar. Nossos pensamentos mudam, assim como a nossa pele enruga com o passar dos anos.

Eu mesmo passei por um longo processo de mudança interior há alguns anos, enfrentei muitas crises internas e custei a compreender o que se passava comigo. Saí fortalecido e mudado desse processo e isso foi ótimo. Mas acabei achando que eu era somente o que me tornei depois de passar daquela fase e esse foi o meu erro, pois eu sou muito mais do que aquilo, tanto em coisas boas quanto em ruins.

De certa forma, criei um novo personagem para mim e acreditei nele. Muito mais do que a ser, me obriguei a sempre aparentar ser forte. Então vendi uma imagem minha que, embora não fosse totalmente falsa, não era a única faceta. Então, quando os momentos de fraqueza e instabilidade chegavam, acabava me esforçando para ignorá-los ou atacá-los com a força que eu não tinha.

Esse é o perigo de não querer mudar, você aceita uma forma de ser e agir e se priva de ser você mesmo em sua totalidade. Sei, é confuso, mas é exatamente assim que estou: confuso. E, acredite, isso não é ruim, pois me acostumei a estar sempre no controle e, como isso não é possível 100% do tempo, sofro com ansiedade e estresse.  Então, considero uma vitória agora aceitar o fato de que eu não posso estar bem a todo o tempo.




É tempo de sair do personagem, esticar os braços e as pernas e tirar o peso das costas. Olhar a si mesmo e se reconhecer sem máscaras, aceitar a força e a fraqueza e saber que são essas duas medidas que te fazem ser quem é.

Diogo Souza, 
04 de janeiro de 2017, às 19h:29


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21 de ago de 2013

Eu sempre sonhei em ser poeta daqueles que fazem poemas com belas palavras e rimas, mas nunca tive uma boa relação com os versos. Não sei, eles me censuravam muito. Comecei fazendo poemas do tipo melosos, de rimas forçadas e, por vezes, desconexas. Eu até poderia escrever um aqui, mas não estou com meu arquivo pessoal por perto, aliás, mesmo que tivesse não os postaria.

Por outro lado, a prosa está para mim como o clichê para a novela. Nela eu mergulho fundo, voo alto e sigo em frente rumo ao que a imaginação desejar. Há vezes em que tropeço nas palavras e caio de cara na decepção de ver um texto afundar. Daí a inspiração some, surge a raiva e uma sensação de fracasso que me faz duvidar de minha capacidade. Geralmente não me ouço quanto a isto.

Mas hoje a prosa e a poesia conversam amigavelmente comigo e sinto até que seja algo mais: um romance. Um triângulo amoroso entre a palavra, a emoção e eu. Um tanto cafona, não? Mas quem se importa?! Isto é escrita, é liberdade. É puro amor.
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Autor

autorEstudante de jornalismo, escritor preguiçoso, poeta fracassado, ligeiramente otimista, irritantemente risonho e comicamente irritado.
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