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16 de jan de 2018

Como a imagem vendida de felicidade e beleza me afastou das redes sociais | Reflexão


Era véspera de páscoa quando achei uma foto interessante no Pinterest, salvei e publiquei no perfil do Instagram do Cara do Espelho. Tratava-se de uma dessas pichações poéticas. Nem a foto, nem a frase eram minhas, mas aquela publicação viralizou e ganhou quase 400 curtidas, um número expressivo para um perfil que não tinha mais que 300 seguidores e as publicações não passavam de 20 likes

Confesso, me senti incomodado com o fato de um conteúdo alheio ter viralizado. Porém, aproveitei a oportunidade para divulgar mais meu o trabalho, investi em publicações parecidas e produzi as minhas nos mesmos moldes. Em três meses, consegui mais de 400 seguidores, alguns até famosos. Foi gratificante ver o crescimento fruto do meu esforço, mas acabei perdendo o fôlego.

De repente, os meus conteúdos autorais não tinham tanto alcance e comecei a me comparar com outros blogs literários e essa comparação me despertou sentimentos ruins de inferioridade. E isso tomou conta de mim em relação às outras redes sociais, incluindo nos perfis pessoais. Eu via a felicidade, agitação, beleza e perfeição em todas as publicações nos feeds e stories e me sentia pequeno e desnecessário perto de tudo aquilo. 


A imagem nos afeta

Reprodução: Netflix

Já experimentei outros afastamentos das redes por estar saturado desse mundinho, mas nunca por me sentir inadequado. Quando me dei conta do que estava acontecendo, lembrei de um texto que li no blog Coisas de Carol, da minha amiga Carol Matias, que fez uma reflexão sobre como nos afetamos pela imagem nas redes sociais. Ela escreveu isso em setembro e, na época, não me dei conta que começava a viver aquilo. 

No texto, Carol falou sobre como foi estar numa rede social e não se sentir confortável em ser ela própria, por ter receio de não estar à altura do que é publicado lá. “Eu me sentia e sinto estranha por que, caramba, todo mundo é tão lindo, tão inspirado, tão legal no Instagram, vida maravilhosa e eu não consigo nem postar uma selfie com uma legenda legal uma vez ou outra. Isso me fazia/faz um mal danado”, escreveu.

Esse trecho me pegou! Há alguns anos, minhas redes estavam cheias de fotos minhas, textos autorais e reflexões. Eu fazia isso porque me fazia feliz compartilhar momentos pessoais e ainda divulgar minha produção artística. Com a faculdade e trabalho, diminui a quantidade. Só que, de uns meses para cá, fui tomado pela mesma sensação descrita por Carol, tanto para minhas fotos quanto para meus textos. 

E foi pesquisando sobre assessoria de comunicação, que encontrei um vídeo que veio a calhar com essa reflexão. A jornalista e coaching de imagem e reputação, Nathana Lacerda, publicou um vídeo em seu canal comentando sobre o dia em que ela decidiu postar uma foto de cara limpa – largada mesmo –, logo depois de ver aquela enxurrada de fotos perfeitas do Instagram. Sua intenção foi mostrar que não há motivos para ter vergonha da sua realidade só porque ela é diferente das outras pessoas. 


Não devemos comparar nossa vida com a do outro


Já escrevi sobre comparações na vida profissional e, agora, percebo que a raiz do problema é a mesma nesse caso. Ao comparar e julgar minha vida e meu conteúdo como ruim ou irrelevante, deixo-me tomar por um sentimento de inferioridade paralisante. No entanto, não há motivos para isso, pois eu já sei que todos somos diferentes e vivemos contextos diversos.


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Não posso pautar minha vida de acordo com o que os outros vão ou não pensar de mim, muito menos querer imitar esses padrões de beleza e comportamento. Preciso ser eu mesmo. E se, por acaso, eu não me sentir confortável em ser quem eu sou, já sei que há algo que preciso resolver e uma lição a aprender.

Como disse a Carol Matias, em sua reflexão: “a partir de hoje terão fotos feias sim, terão fotos espontâneas sim, terão fotos que contem histórias e momentos sim”. 

Nada mais justo, pois somos humanos, somos diferentes, somos muitos e, ao mesmo tempo, somos únicos. Temos fases de alta e também de baixa. Então, vamos ser reais onde quer que estivermos, na rede social ou na vida. Até por que ninguém gosta de fakes, né? 

Leia a crônica da Carol aqui: http://bit.ly/reflexãoCarolMatias

Assista ao vídeo da Nathana: 







2 comentários:

  1. Tô contemplada! Eu me sentia muito assim em relação ao instagram do blog (e até mesmo o meu pessoal) porque tudo parecia perfeito demais no perfil dos outros. Vi pessoas que começaram em 2017 e já tinham uma gama de seguidores enorme e eu lá sofrendo para manter os meus. Compreender isso e ser feliz sendo quem é, com feed desorganizado e fotos autorais é complicado. Mas me senti feliz ao ler esse texto e perceber que tá tudo bem em ser quem sou, desde que eu esteja feliz.
    Obrigada pelo texto, migo, sempre me surpreendendo. <3

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    Respostas
    1. Amiga, eu que agradeço pelo comentário! Que bom que esse texto te fez bem, pois, realmente, não há nada que ser quem somos, viver nossa essência, sem querer imitar alguém ou nos limitar. Vamos ser felizes e plenos, por que é isso que somos!

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Autor

autorEstudante de jornalismo, escritor preguiçoso, poeta fracassado, ligeiramente otimista, irritantemente risonho e comicamente irritado.
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