Desnecessidade de palavras | Crônica | Cara do Espelho


Quando acordo do seu lado, tenho uma contraditória vontade de querer dormir e, ao mesmo tempo, ficar acordado. Tudo isso para sentir este calor mágico que envolve o nosso abraço, esse calor que anda curiosamente de mãos dadas com o frio. E, assim, posso sonhar e viver o sonho num momento único em que a fantasia e realidade se encontram e se confundem.

Acordar com você em meus braços é te apertar contra mim e sentir que somos um só. Sentir na pele a carícia do leve toque da tua respiração. É entender as confissões mais íntimas do seu delicado ressonar sobre o meu peito. 

É como se o tempo parasse ou pelo menos ficasse num vai e vem entre o passado e presente. Como se perdêssemos a noção de tempo e espaço, numa viagem à outra dimensão onde somente nos caiba, sem mais nem menos. 

Como se o que tanto tínhamos a dizer já tenha sido dito no mais significativo silêncio. Daqueles raros, sustentados por olhares dizem muito. E que nossos olhos digam tudo. Que eles falem, cochichem, gritem e cantem tudo o que é preciso dizer nessa nossa total desnecessidade de palavras.

Por Diogo Souza, em 23 de fevereiro de 2014

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