15 de agosto de 2016

Apenas estou | Crônica | Cara do Espelho



Para dois idiotas
    "A vida é um jogo sem importância não estamos nem aí para quem você namora." (Lorde – Royals)


Por muito tempo eu fui o garotinho certinho que as tias apertavam as bochechas e falavam em tom infantil. Fui o mais correto e o mais comportado, fui o padrão de comparação para os outros da minha idade. Eu era o que devia ser, segundo o que diziam. Eu não respondia os mais velhos, eu nunca dizia não, eu não saía do caminho e não atrasava a lição de casa. Eu era apenas o que me deixavam o ser. Não havia grade nenhuma, mas de certa forma eu estava preso. Estava preso dentro de mim mesmo.
Por muito tempo, eu fui apenas um telespectador da comédia romântica da minha própria vida. Mas a grande verdade é que a tragédia sempre me atraiu mais, assim como os gregos e romanos. Eu fui um personagem criado por mim para atender às expectativas alheias e silenciar questionamentos mais profundos. Uma versão superficial, virtual e artificial de mim mesmo. Apenas uma resposta pronta e fechada.
Às vezes, é difícil carregar nas costas o peso da responsabilidade de ser bom em alguma coisa, porque as pessoas te engrandecem e te põem lá em cima e esperam muito de você, mas te destroem na menor suspeita de erro. De repente, sua vida se resume a tentar ser como exatamente você foi num determinado momento para agradar os outros, nada a mais nem a menos do que aquilo. Mas descobri que eu não sou, eu apenas estou. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Descobri que não era mais aquele mesmo garotinho, ele era uma grande farsa. Eu tirei o sobretudo e despi minha alma, experimentei olhar com meus próprios olhos e julgar menos. Teoricamente, passei a ser um problema. Simplesmente cansei de agradar todo mundo e percebi que ser você mesmo é motivo o bastante para que te odeiem, mas eu não me importo. Eu me permiti improvisar nesse teatro tragicômico que é a vida. Eu sorri em demasia e chorei em demasia, só porque cansei de ouvir todos me dizendo que tudo tinha que ser na medida certa. Então tive uma overdose de mim mesmo só para entrar em equilíbrio com minha alma.
Já quando as pessoas se apaixonam por mim, elas querem me meter nos seus padrões de fracassos antigos, me enfiar num templo religioso ou num motel barato. Apenas me mudar. Mas eu não mudo por capricho de ninguém, eu tenho a mente muito aberta para fechá-la em um templo só e um amor próprio muito grande para me acomodar numa história mais ou menos. Eu me apaixono rápido, desapaixono fácil, parto para outra quando vejo que não tem futuro ou apenas deixo estar porque eu apenas estou. E quando lembram de me avisar que acabou eu já estou distante navegando outro mar. E quando o arrependimento faz essas pessoas voltarem, eu apenas sigo minha direção. Mas quando dizem que estou me vingando, só o que posso dizer é que estou seguindo em frente.
Eu estou, eu apenas estou.
Diogo Souza,  08 de outubro de 2015

Texto disponível também no meu livro "Um amontoado de palavras", no Wattpad, Acesse aqui: http://my.w.tt/UiNb/mQ1aTNEmRv




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Um comentário:

  1. Olá Diogo! Fiquei contente com a sua crónica, tal como o seu trabalho! Conforme o convite que deixou no meu blogue, sim, estou-o seguindo (via facebook). Até ficaria ofendida se assim não desse oportunidade de retomar o carinho que assim demonstrou.
    Parabéns :)

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