20 de junho de 2016

Eu não sou ele (Não me compare) | Conto

"Agora que saltam os gatos buscando as sobras, você mia a triste canção. Agora que você ficou sem palavras, compara, compara, com tanta paixão"  (No me compares, de Alejandro Sanz)

Inscreva-se no nosso canal!

Finalmente quando eu sentia que estávamos prontos para dar mais um passo em direção ao mesmo destino; logo quando te sentia andando lado a lado comigo, você escuta aquela canção que te abate e te leva pra longe mim e perto do seu passado.  Nossos projetos estão na mesa, minhas expectativas quase derrubam meu muro das lamentações antes da hora, mas algo me para. É seu olhar nostálgico recordando de quando você e ele faziam planos semelhantes e ele te deixou pouco depois.
Te vejo mergulhar em silêncio na contemplação, tentando mirar o horizonte à nossa frente, mas se apegando ao que já ficou para trás. Você começa a falar dele e de suas histórias, você ainda nos compara com euforia e desilusão. Eu sou como ele, às vezes falo como ele, ando como ele, acerto como ele, erro como ele... Você volta ao passado e eu não posso te trazer de volta.  Eu apenas paro e suspiro, porque sei que se você voltar desse devaneio, te terei para sempre, mas se você decidir ficar, então eu seguirei sozinho na mesma direção de sempre.
Está tudo escrito em seu olhar, mas eu não consigo ler nada enquanto sua dúvida inquieta a minha alma. Seus dedos se apertam nas suas mãos, agora eu sinto que deveria te agarrar e te trazer de volta, mas o que posso fazer? Sua dúvida me imobiliza, eu simplesmente não sei reagir. Só me resta esperar até seu olhar reencontrar o meu aqui. Mas eu não sei esperar e talvez me apresse e me engane, pois meus sentimentos são desastrados mesmo. Há uma possibilidade que me entristece só de pensar que é a de te perder para uma lembrança. Talvez eu nunca o tenha superado, talvez eu seja um corredor por onde você apenas tenha passado para desviar dele, mas agora quer reencontrá-lo. Talvez o amor de toda a minha alma que eu te dei não seja o suficiente para cobrir o rombo que ele fez em seu coração, talvez eu tenha me iludido todo esse tempo a agora talvez eu me vire e vá embora antes da hora.
Se eu pudesse, eu apagaria cada lembrança feroz e dolorosa que te enchem de medo e te fazem desacreditar o futuro agora, mesmo eu não sendo ele. Se eu pudesse, te abraçaria e não te soltaria nunca mais, mesmo não tendo o abraço como o dele. Se eu pudesse, seria mais como ele e não me importaria tanto com você, mas eu te amo demais para isso. Por favor, apenas me diga algo que esclareça se é, ou não, a hora de eu ir partir, pois o trem está saindo e não posso te esperar para sempre. Decida se quer escrever uma história nova comigo ou retomar um final triste com ele.


16 de setembro de 2015

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poesias no Espelho

Postagem em destaque

A grandiosidade de se sentir pequeno | Crônica | Cara do Espelho

Vou me pendurar no lustre, no lustre Vou viver como se não houvesse amanhã (Sia – Chandelier) Você já olhou para o céu numa...