25 de janeiro de 2015

O som do nosso silêncio





Ser escritor é escrever pensamentos avulsos em surtos criativos e prometer encaixá-los em algum texto futuro. E o texto de hoje é uma compilação de alguns desses fragmentos.

Nunca consegui encaixá-los em nada, até perceber que eles se encaixavam perfeitamente quando reunidos, o curioso é que foram escritos entre abril e julho de 2014 e só vieram fazer sentido agora.

Que tal ler ao som de Ivete Sangalo com "Deixo"?



O som do nosso silêncio






Seu silêncio nunca me pareceu tão ensurdecedor e essa nossa zona de conforto tão desconfortável. Mesmo assim, ainda quero ficar aqui, quieto e ao seu lado, para procurar nossas respostas num ou outro gole do seu tinto favorito. Apenas fique um pouco mais, nem precisa dizer nada.
Sou o mesmo cara dramático de antes, buscando a redenção dos erros que cometi e arrependido dos passos que não dei por medo de errar. Sou o mesmo olhando pela janela, falando com a cidade e pensando num horizonte além, perdido entre um devaneio e outro.
Talvez pior que antes, procurando aquela velha estrela prometida enquanto descubro outras tantas para novos poemas. Que agradece a Lua por seu olhar compreensivo e conselheiro. No fundo, sou o mesmo, acrescido até mesmo por minhas perdas e falhas. Não sei, pareço insano procurando palavras para explicar coisas que, no fim das contas, nem precisam de explicação, mas que são necessárias serem ditas pois meu peito parece explodir.
Nos olhamos em silêncio por um longo tempo e daí percebi que nossos olhos tinham parado de acusar um ao outro e começavam a mostrar um esboço de empatia. Uma cumplicidade.
Estivemos tão preocupados em encontrar os motivos do nosso fracasso que esquecemos de pensar no que deixamos de fazer por nosso sucesso. Aquele olhar era de culpa e de remorso por cada palavra atirada cegamente no calor da raiva e pelo silêncio cruel da explicação não dada ou, ainda, por todas as oportunidades de recomeço jogadas pela janela.

Quanto tempo se passou? Tivemos que amargar a dor da perda e levar isso a um fim extremo, como se uma mágoa a mais em nossa coleção não fosse fazer diferença. Mas fez. 

Eu teria mil coisas a dizer para tentar consertar o que foi destruído, mas eu apenas olho seu silêncio e participo dele, de forma compreensiva e receosa, porque sei que não restou muito a ser dito. É a hora de aprender com o silêncio, respeitar os espaços e os limites um do outro. Precisamos reconhecer que um abismo se abriu entre nós e a única maneira de superá-lo é nos jogar juntos, sem receios e sem dúvidas.

Acredito que eu não seja sua outra metade e acho que nem mesmo a pessoa certa. Basta ver a que ponto chegamos, as palavras estão esgotadas e agora compartilhamos essa procrastinação, evitando que aquela porta se abra e um de nós se vá. Você também deve ter percebido, o momento chegou.

Mas eu quero pedir mais uma “última oportunidade”, outra última chance para fazer tudo outra vez e de novo pararmos aqui na sua sacada, encarando a verdade e fingindo que não a vemos. Por isso, talvez seja melhor continuar calado, pelo menos nesse momento, pois parece que o Sol está renascendo para nós e essa calmaria pode ser a chance que ainda não atiramos pela janela.

Por Diogo Souza

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