4 de novembro de 2013

Buracos (Parte 2)

Série  Buracos 

 Cumprindo com o prometido estou de volta com a continuação do projeto "Buracos". Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer imensamente pelo sucesso que fez o texto da semana passada. Um muito obrigado grande e redondo para todos que leram. Foi sucesso, tanto que até foram registrados acessos na Rússia, Coréia do Sul, Ucrânia, então muito obrigado a vocês aí do outro lado mundo também. 
 E na interpretação da nossa mulher misteriosa, continuamos com a colaboração especial de minha amiga Jislane Souza. Ela é uma estudante de Psicologia, apaixonada pelo rock e moradora da cidade de Poço Verde - SE. E, como todo mundo achava isso, se tornou minha prima em 2012.
 Vamos ao texto? Lá vai a segunda parte de "Buracos", vamos ver se nosso héroi desmemoriado vai lembrar de mais alguma coisa.


Buracos (Parte 2)

 Pois é, doutor, passei boa parte da noite às claras e sem conseguir dormir, apenas pensando nela que é a única coisa que me liga ao passado. Tentando decifrar quem seria aquela mulher misteriosa. Ela não sai da minha cabeça, aliás é só o que me restou. Vejo a todo instante aqueles olhos negros e o jeito marcante. Como poderia me lembrar dela e nada sobre o meu próprio passado? Nem ao menos meu próprio nome! A minha memória se tornou um buraco. Um buraco cheio de vazio. Mas hoje, ao acordar, quando ainda estava deitado, o mundo à minha volta começou a girar e vieram uma série de imagens e emoções que bombardearam minha mente. Sinto que aos poucos as coisas estão ressurgindo.
 Do que mais me recordo é de estar cansado e enfadado. Como se a vida tivesse perdido o brilho, a novidade e o sentido. Eu tentava continuar com minha vida, queria seguir em frente, progredir, mas tudo dava errado. Não havia direção certa e a tal luz no fim do túneo havia se apagado. Minha visão andava embaçada por uma névoa espessa. Estava perdendo a fé e minha esperança já estava à beira da morte. Não sei. Algum tipo de maldição, talvez. "Por onde andaria Deus?", eu questionava.
 Havia uma saudade em cada pensamento. Uma nostalgia de outros tempos, de tempos melhores, de um eu melhor. Os dias pareciam se arrastar como que presos a bolas de ferros, como daquelas de prisioneiros de desenhos animados. Prisioneiro. Eu me sentia preso a nada e condenado ao vazio. Frágil. Vulnerável. Uma coisa sem sentido, mas que remete ao meu estado atual. Minha mente é um lugar vazio.
 Mas aí tudo mudou. As cores voltaram e o horizonte voltou a ter luz. Um despertar em uma bela aurora. Era a vida que voltava a ter sentido. Como eu gostaria de lembrar, mas eu não consigo. Foi apenas mais um lapso. Um pensamento pela metade. Maldição! O quebra-cabeças continua longe de ser completado. Tenho quase certeza de que esta mudança tão brusca tem relação com aquela mulher que vaga na minha lembrança, sem nome, sem passado e nem futuro. Só pode ser ela, só pode ser por ela. Eu preciso lembrar, doutor! Me ajude. Preciso descobrir quem é essa mulher.




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